O perfil da mulher empreendedora

As mulheres são responsáveis únicas pelo sustento de mais de 35% dos lares brasileiros e dos 65% restantes, boa parte colabora com os custos de sobrevivência. O aumento da participação econômica feminina e até as mudanças na família tradicional brasileira apontam o potencial cada vez maior da mulher para o empreendedorismo.

De acordo com o Sebrae, a cada 100 Micro Empreendedores Individuais, 45 são mulheres. A consultoria Serasa Experian divulgou um levantamento recente sobre as oito milhões de empreendedoras do Brasil. A maior parte delas reside na região Sudeste (53,2%), seguido pelo Sul (19,5%), Nordeste (15,9%), Centro-Oeste (7,1%) e por último, o Norte (4%).

São empreendedoras decidas que começaram o próprio negócio por paixão e aumentam o potencial do mercado nacional, aplicando no mundo dos negócios sua capacidade de visão detalhada e de realizar várias coisas ao mesmo tempo. Em geral, são mulheres com experiência no mercado de trabalho que decidiram ter a própria empresa. A maioria delas (27,6%) tem entre 31 e 40 anos, seguida pelas de 41 a 50 anos (25,67%), e depois pelas mulheres entre 51 e 60 anos (18%).

Um apontamento feito pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), em 2010, apontava que cerca de 33% das mulheres empreendedoras prefere investir no comércio de produtos, 20% no ramo de alimentação e 12% na indústria de transformação. Os negócios com comando feminino tendem a ser menores e voltados para o setor de serviços e isso aponta que as mulheres precisam aumentar as conquistas. Cerca de 99% das mulheres é sócia de empresas de micro e pequeno porte.

Empreendedorismo feminino

Empreendedoras tem mais dificuldades para crescer

Para ajudá-las no crescimento, já existem blogs, eventos e especialistas que falam em um “jeito feminino de empreender”.

É um consenso que enquanto homens – em geral e não como regra – se aventuram mais cedo no mundo dos negócios e são aventureiros solitários em busca do crescimento, mulheres investem no mundo dos negócios mais tarde e menos agressivamente, levando consigo a responsabilidade de lidar também com a família.

Esse jeito feminino parece estar mais voltado para o foco nas pessoas. Um levantamento realizado pela Fundação Kauffman com 549 empresários buscou semelhanças e diferenças no jeito de empreender de homens e mulheres.

A pesquisa concluiu que as dificuldades são parecidas e os fatores que ambos acreditam levar ao sucesso também. Mas a maioria das mulheres se sente mais segura para empreender com um mentor, um amigo ou outro empreendedor dando incentivos e são mais preocupadas com o capital intelectual da empresa, enquanto homens dão menos valores à mentores e redes de contato.

Outra diferença é que enquanto os homens se lançam nos negócios buscando maior retorno financeiro e são mais cobrados para ter um emprego tradicional rentável, as mulheres empreendem por paixão e pela vontade de ter mais tempo para se dedicar à família. A mulher empreendedora compõe um perfil mais preocupado em crescer junto com as pessoas em volta e por esse motivo também os olhos do mundo estão se voltando para essa habilidade feminina: a capacidade de envolver mais pessoas em ações e promover mudanças na comunidade.

Os especialistas são unânimes em concordar que as características femininas devem ser aplicadas como vantagem no mundo dos negócios. E características que muitas vezes foram vistas de forma preconceituosa e associadas à fragilidade, como a sensibilidade e facilidade de relacionamentos, tornam-se diferenciais. Fazer mais de uma tarefa por vez, lidar com pessoas, valorizar a cooperação e prestar atenção ao cliente podem ajudar e muito o negócio a prosperar.

 

Originalmente publicado em: Como Abrir Uma Empresa